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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Septuaginta - Jó - Capítulo 2

1 E sucedeu, em um determinado dia, quando os anjos de Deus vieram para estar diante do Senhor, que o diabo veio entre eles para estar, também, diante do Senhor.
2 E o Senhor disse ao diabo: "Donde vens?" Então o diabo respondeu, diante do Senhor: "Venho de atravessar o mundo e andar sobre a terra inteira."
3 Perguntou o Senhor ao diabo: "Tens, então, observado o meu servo Jó, que nenhum homem há sobre a terra como ele, um homem pacifico, verdadeiro, íntegro e piedoso, abstendo-se de todo o mal? Não se apega ele, ainda, a inocência, sendo que me disseste para destruir os seus bens, sem justa causa?
4 E o diabo respondeu, dizendo ao Senhor: "Pele por pele, e tudo o que um homem tem dará como resgate por sua vida.
5 Porém, estende a tua mão e toca-lhe os ossos e a carne. Então. deveras, abençoará ele a tua face!"
6 E o Senhor disse ao diabo: "Eis que eu o entrego em tuas mãos; tão somente preserva-lhe a vida."
7 Então o diabo saiu de diante do Senhor e feriu a Jó de úlceras malignas, desde os pés à cabeça.
8 E ele tomou um caco para raspar as crostas, assentando-se sobre um monturo, fora da cidade.
9 E, tendo se passado um longo tempo, sua mulher falou-lhe: "Até quando irás resistir, dizendo: "Eis que esperarei ainda um pouco, guardando a esperança da minha libertação?" Pois eis que a tua memória já tem sido abolida da face da terra, assim como os teus filhos e filhas, os espasmos e as dores de meu ventre que carreguei em vão com trabalhos; porém, tu mesmo te assentas para passar as noites ao ar livre entre a corrupção dos vermes, enquanto eu sou uma andarilha e uma serva, de lugar para lugar e de casa em casa, esperando o pôr-do-sol para que possa descansar de meus trabalhos e de minhas dores que agora me afligem. Entretanto, diz alguma palavra contra o Senhor, e morre!"
10 Porém, ele olhou para ela, e disse: "Falaste como uma doida. Se temos recebido boas coisas da mão do Senhor não devemos suportar, também, as coisas más?" Em todas essas coisas que lhe aconteceram Jó não pecou em nada com os seus lábios diante de Deus.
11 Ora, seus três amigos, depois de ouvirem a respeito de todo o mal que tinha vindo sobre ele, vieram ao seu encontro, cada um do seu próprio país: Elifaz, o rei dos temanitas; Bildade, soberano dos suítas, e Zofar, o rei dos naamatitas, os quais vieram a ele de comum acordo, para confortá-lo e para visitá-lo.
12 Mas, quando o viram à distância, eles não o reconheceram; então clamaram com grande voz e choraram; e, rasgando cada um o seu manto, lançaram pó sobre as suas cabeças.
13 Assentaram-se, então, ao lado dele sete dias e sete noites, e nenhum deles falou; porque viram que a sua aflição era terrível, e demasiado grande.

Septuaginta - Jó - Capítulo 1

1 Havia um homem na terra de Uz cujo nome era Jó, o qual era verdadeiro, íntegro, justo e piedoso, abstendo-se de todo o mal.
2 Tinha ele sete filhos e três filhas.
3 O seu rebanho consistia de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas nos pastos; tinha ele, também, uma família muito grande, e uma grande criação na terra. O homem era o mais nobre dos homens que viviam ao oriente.
4 Seus filhos, visitando uns aos outros, prepararam um banquete durante vários dias, levando consigo também suas três irmãs para comer e beber com eles.
5 E, quando os dias do banquete foram concluídos, Jó foi e purificou-os, tendo subido de manhã; ofereceu sacrifícios por eles, de acordo com o seu número, e um bezerro para a oferta pelo pecado, por suas almas. "Porque" dizia Jó, "porventura os meus filhos terão pensado mal em suas mentes, contra Deus." Assim fazia Jó, continuamente.
6 E aconteceu que, num certo dia, os anjos de Deus vieram para estar diante do Senhor, e o diabo veio com eles.
7 Então, o Senhor disse ao diabo: "Donde vieste?" E o diabo respondeu ao Senhor, dizendo: "Vim de arrodear a terra, andando para cima e para baixo no mundo."
8 Disse-lhe o Senhor: "Tens tu, diligentemente, observado a meu servo Jó, que não há ninguém como ele na terra, homem íntegro, verdadeiro, piedoso, abstendo-se de todo o mal?"
9 Então o diabo respondeu, e disse na presença do Senhor: "Jó adora ao Senhor por nada?
10 Porventura não fizeste uma cobertura sobre ele e sobre a sua casa, e sobre todos os seus bens em redor? Não abençoaste as obras das suas mãos e multiplicaste o seu gado sobre a terra?
11 Mas, estende a tua mão e toca tudo o que ele tem. Então, deveras, abençoará ele a tua face."
12 E o Senhor disse ao diabo: "Eis que dou na tua mão tudo o que ele tem; tão somente não toques nele mesmo." Logo, o diabo saiu da presença do Senhor.
13 E aconteceu, num daqueles dias, que os filhos de Jó e suas filhas estavam bebendo vinho na casa de seu irmão mais velho.
14 E veio um mensageiro para Jó, e disse-lhe: "As juntas de bois lavravam e as jumentas pastavam perto deles,
15 e eis que os saqueadores vieram e levaram-nos como presa, matando os teus servos à espada; e eu somente escapei, vindo para trazer-te a nova."
16 Enquanto ele ainda estava falando, veio outro mensageiro e disse para Jó: "Fogo caiu do céu e queimou as ovelhas consumindo, igualmente, os pastores; e eu somente escapei, vindo para trazer-te a nova."
17 Enquanto ele ainda estava falando, veio outro mensageiro e disse para Jó: "Cavaleiros formaram três bandos contra nós, cercaram os camelos e levaram-nos como presa, matando os teus servos à espada; e eu somente escapei, vindo para trazer-te a nova."
18 Enquanto ele ainda estava falando, veio outro mensageiro, dizendo para Jó: "Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo com seu irmão mais velho quando,
19 de repente, um vento forte veio do deserto abatendo-se sobre os quatro cantos da casa, e a casa caiu sobre os teus filhos, estando eles, agora, todos mortos; e eu somente escapei, vindo para trazer-te a nova."
20 Então Jó se levantou, rasgou as suas vestes, raspou o cabelo da sua cabeça e, caindo sobre a terra, adorou
21 e disse: "Eu saí nu do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou; como pareceu bem ao Senhor, assim aconteceu. Bendito seja o nome do Senhor!"
22 Em todos esses eventos que se abateram sobre ele, Jó não pecou em nada diante do Senhor, nem imputou loucura a Deus.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Septuaginta - Daniel - Capítulo 14 - Bel e o dragão

1 O Rei Astiages foi congregado aos seu pais, e Ciro da Pérsia herdou seu reino.
2 E Daniel falou com o rei, sendo honrado por ele acima de todos os seus amigos.
3 Tinham os babilônios um ídolo chamado Bel. E eram gastos com ele, todos os dias, doze grandes medidas de flor de farinha, quarenta ovelhas e seis odres de vinho.
4 O rei o adorava e entrava diariamente para reverenciá-lo, porém Daniel adorava ao seu próprio Deus. E o rei disse-lhe: "Por que não adoras a Bel?"
5  Respondeu ele, dizendo: "Porque não posso adorar ídolos feitos por mãos humanas, mas somente ao Deus vivo, o qual criou o céu e a terra e tem soberania sobre toda a carne."
6 Então, disse-lhe o rei: "Pensas tu que Bel não é um Deus vivo? Não vês o quanto ele come e bebe todos os dias?"
7 Daniel sorriu, e disse: "Ó rei, não te enganes, porque aquilo não é senão barro por dentro e bronze externamente, e nunca comeu nem bebeu qualquer coisa."
8 Então o rei se indignou e apelou para os seus sacerdotes, dizendo-lhes: "Se vós não me disserdes quem é que devora essas coisas, haveis de morrer!
9 Porém, se puderdes certificar-me que é Bel quem as devora, então Daniel morrerá, porque tem falado blasfêmia contra Bel." E Daniel disse ao rei: "Seja de acordo com a tua palavra."
10 Ora, os sacerdotes de Bel eram setenta, junto com suas esposas e filhos. E o rei foi com Daniel ao templo de Bel.
11 Os sacerdotes de Bel, então, disseram: "Eis que nós sairemos, mas tu, ó rei, dispõe a carne e o vinho e fecha a porta imediatamente, selando-a com o teu próprio sinete.
12 E amanhã, quando vieres, se encontrares que Bel não comeu tudo, sofreremos a morte; ou, então, será Daniel que a sofrerá, o qual fala falsamente contra nós."
13 E eles pouco ficaram preocupados, pois debaixo da mesa se ​​tinha feito uma entrada secreta, pela qual eles entravam continuamente e consumiam essas coisas.
14 Logo, quando eles saíram, o rei colocou as carnes diante de Bel. Mas Daniel deu ordem aos seus servos para trazerem cinzas, e eles as espalharam por todo o templo, na presença do rei, somente. Saíram, então, e fecharam a porta, selando-a com o selo do rei. E assim partiram.
15 Ora, no meio da noite vieram os sacerdotes com suas mulheres e filhos, conforme estavam acostumados a fazer, e comeram e beberam tudo.
16 Pela manhã, bem cedo, o rei se levantou, e Daniel também.
17 E disse o rei, Daniel: "O selo está inviolado?" E ele disse: "Sim, ó rei, está inviolado."
18 E, tão logo ele abriu a porta, o rei olhou para a mesa e clamou com grande voz: "Grande és tu, ó Bel, e em ti não há dolo algum!"
19 Então Daniel riu e reteve o rei para que ele não entrasse, dizendo-lhe: "Olha agora o pavimento, e nota bem de quem são estas pegadas!"
20 E disse o rei: "Vejo pegadas de homens, mulheres e crianças." Depois disto, o rei ficou muito irado,
21 e tomou os sacerdotes, com suas mulheres e filhos, os quais lhe mostraram as portas secretas, por onde eles entravam e consumiam as coisas que estavam em cima da mesa.
22 Então o rei os matou, entregando Bel em poder de Daniel, para que ele e seu templo fossem destruídos.
23 Entretanto, no mesmo lugar havia um grande dragão que os habitantes de Babilônia adoravam.
24 E disse o rei a Daniel: "Irás dizer-me que também este é de bronze? Eis que ele vive, e come e bebe! Não poderás dizer que ele não é um deus vivo. Portanto, adore-o."
25 Então Daniel falou ao rei, dizendo: "Adorarei ao Senhor, meu Deus, porque Ele é o Deus vivo.
26 Mas, permita-me, ó rei, e irei matar este dragão sem espada ou qualquer pessoa para ajudar-me!" E o rei disse: "Dou-te permissão".
27 Então Daniel tomou breu, gordura e cabelos e os ferveu juntos, fazendo pequenas porções do resultado, as quais colocou na boca do dragão. E, assim, o dragão estourou, e Daniel disse: "Eis que estes são os deuses que vós adorais!"
28 Quando os da Babilônia ouviram isso eles se indignaram muito e conspiraram contra o rei, dizendo: "O rei tornou-se judeu. Ele destruiu a Bel, feriu o dragão e condenou os sacerdotes à morte."
29 Então, eles vieram ao rei, e disseram: "Entrega-nos Daniel, senão iremos destruir a ti e a tua casa!"
30 Ora, quando o rei viu que o pressionavam muito, sentindo-se constrangido, entregou-lhes Daniel.
31 E eles o lançaram na cova dos leões, onde ele ficou durante seis dias.
32 Havia na cova sete leões e eles costumavam dar-lhes, todos os dias, duas carcaças e duas ovelhas, as quais, naquela ocasião, não lhes foram dadas, para que devorassem logo a Daniel.
33 Ora, havia entre os judeus um profeta chamado Habacuque, o qual havia feito um guisado e, colocando pedaços de pão em uma tigela, estava indo para o campo, para levá-los aos ceifeiros.
34 Mas o anjo do Senhor disse a Habacuque: "Vai, e leva o jantar que tens para a Babilônia, para Daniel, que está na cova dos leões."
35 E Habacuque disse: "Senhor, eu nunca vi a Babilônia, nem sei onde é a caverna!"
36 Então o anjo do Senhor tomou-o pela cabeça, pegando no cabelo da sua cabeça, e através da força de seu espírito colocou-a em Babilônia, sobre a cova.
37 E Habacuque clamou, dizendo: "Ó Daniel, Daniel, toma o teu jantar, que Deus te enviou!"
38 E Daniel disse: "Tens lembrado de mim, ó Deus, e não desamparaste os que te buscam e te amam!"
39 Então Daniel se levantou e comeu, e o anjo do Senhor pôs novamente Habacuque em seu próprio lugar, imediatamente.
40 Ao sétimo dia o rei saiu para lamentar a Daniel. Mas, quando ele veio para a cova, olhou e eis que Daniel estava assentado.
41 Então, gritou o rei com grande voz, dizendo: "Grande és tu, ó Senhor, Deus de Daniel, e não há outro além de ti!"
42 E tirou-o para fora, lançando na cova aqueles que haviam sido a causa de sua destruição. E eles foram devorados, imediatamente, diante de seu rosto.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Septuaginta - Daniel - Capítulo 13 - A História de Suzana

1 Morava na Babilônia um homem, chamado Joaquim,
2 o qual tomou uma esposa cujo nome era Susana, filha de Hilquias, mulher muito justa e temente a Deus.
3 Seus pais também eram justos, e haviam ensinado sua filha de acordo com a lei de Moisés.
4 Era Joaquim um homem muito rico, e tinha um belo jardim junto à sua casa. Para ele recorriam os judeus, porque era o mais nobre de todos.
5 Num certo ano, foram nomeados dois dos anciãos do povo para serem juízes, conforme o Senhor falara a respeito, que a maldade procede de Babilônia, de juízes antigos que parecem governar o povo.
6 Permaneciam eles muito tempo na casa de Joaquim, e todos os que tinham qualquer processo com a lei vinham-lhes ao encontro.
7 Ora, quando o povo se afastava,  ao meio-dia, Susana ia para o jardim de seu marido, para caminhar.
8 Os dois anciãos a viam indo, todos os dias, para caminhar; e o seu desejo foi inflamado em sua direção.
9 Então eles perverteram a sua própria mente e desviaram os seus olhos, de modo que não podiam olhar para o céu nem lembravam dos julgamentos.
10 E ainda que ambos haviam sido feridos pelo amor, não ousavam um ao outro demonstrar a sua dor,
11 porque eles tinham vergonha de declarar seu desejo, pois desejavam relacionar-se com ela.
12 No entanto, eles vigiavam diligentemente, dia à dia, para vê-la.
13 E um deles disse para o outro: "Vamos, agora, voltar para casa, pois é hora do jantar."
14 Então, quando foram embora, eles se separaram um do outro e, voltando-se, tornaram para o mesmo lugar; e depois de haverem perguntado um ao outro a causa, reconheceram sua sensualidade. E eles combinaram um tempo para estarem os dois juntos, quando poderiam encontrá-la sozinha.
15 Passou-se o tempo, enquanto eles aguardavam um momento oportuno, até que ela entrou, como sempre, com apenas duas servas, desejando banhar-se no jardim, pois o tempo estava quente.
16 E não havia mais ninguém lá, salvo os dois anciãos que se tinham escondido e observavam.
17 E disse ela às suas servas: "Trazei-me óleo e sabonete, e fechai as portas do jardim, para que eu possa banhar-me."
18 Então fizeram o que ela mandou, fechando as portas do jardim e saindo por portas escondidas para buscar as coisas que ela lhes havia ordenado. Entretanto, não viram os anciãos, pois estavam escondidos.
19 Ora, quando as servas saíram, os dois anciãos levantaram-se e correram para ela, dizendo-lhe:
20 "Eis que as portas do jardim estão fechadas e ninguém pode ver-nos, e estamos enamorados de ti; portanto, consente e deita-te conosco!
21 Se não o fizeres iremos testemunhar contra ti dizendo que um jovem estava contigo e, por este motivo, enviaste as tuas servas para longe de ti."
22 Então Suzana suspirou, e disse: "Estou angustiada por todos os lados. Pois se fizer isso, é morte para mim. Porém, se eu não o fizer, não poderei escapar de vossas mãos.
23 É melhor para mim cair em vossas mãos, e não fazê-lo, do que o pecado aos olhos do Senhor."
24 Com isso, Suzana clamou com grande voz. E os dois anciãos gritaram contra ela.
25 E um deles desatou a correr, abrindo a porta do jardim.
26 Assim, quando os criados da casa ouviram o grito no jardim, eles correram para a porta escondida, para ver o que havia acontecido com ela.      
27 Porém, quando os anciãos contaram sua história, os servos ficaram sobremaneira envergonhados, porque nunca relato semelhante havia sido feito a respeito de Suzana.
28 E sucedeu, no dia seguinte, quando as pessoas estavam reunidas com o seu marido, Joaquim, que os dois anciãos vieram também, cheios de imaginação maliciosa contra Suzana, para colocá-la à morte.
29 E disseram, diante do povo: "Mandai buscar Suzana, filha de Hilquias, esposa de Joaquim!" E mandaram buscá-la.
30 Então ela veio com seu pai e sua mãe, seus filhos e todos os seus parentes.
31 E Suzana era uma mulher muito delicada e bela de se contemplar.
32 Mas aqueles homens malvados ordenaram-lhe descobrir o seu rosto (pois ela estava coberta), para que pudessem extasiar-se com a sua beleza.
33 Logo, os seus amigos e todos os que a viram choraram.
34 Então os dois anciãos se levantaram no meio do povo, e puseram as mãos sobre as suas cabeças.
35 No entanto ela, chorando, olhou para o céu, pois seu coração confiava no Senhor.
36 E os anciãos disseram: "Eis que entramos no jardim sozinhos, e esta mulher entrou, depois, com duas servas, fechando as portas do jardim e mandando embora as suas servas.
37 E um jovem, que estava escondido, veio ao encontro dela e deitou-se com ela.
38 Então nós, que estávamos em um canto do jardim, vendo essa maldade corremos para eles.
39 Porém, quando os vimos juntos, ao homem não conseguimos segurar, porque era mais forte do que nós e, abrindo a porta, correu para fora.
40 Tendo apanhado essa mulher, perguntamos-lhe quem era o jovem que lá estava, mas ela não nos quis dizer. Essas coisas vos testemunhamos."
41 E a assembléia acreditou neles, como aqueles que eram os anciãos e juízes do povo. Assim, eles a condenaram à morte.
42 Então Suzana clamou com grande voz, e disse: "Ó Eterno Deus, que conheces os segredos e sabes todas as coisas antes que aconteçam!
43 Tu conheces que eles deram falso testemunho contra mim. E eis que devo morrer, apesar de que nunca fiz tais coisas como as que estes homens, maliciosamente, inventaram contra mim!"
44 E o Senhor ouviu a sua voz.
45 Por conseguinte, quando ela estava sendo levada para ser condenada à morte, o Senhor despertou o espírito santo de um jovem que se chamava Daniel,
46 o qual gritou em alta voz, dizendo: "Estou limpo do sangue desta mulher!"
47 Imediatamente, todo o povo voltou-se em direção a ele, e falou: "Que significam estas palavras que disseste?"
48 Então ele, ficando em pé no meio deles, disse: "Estai vós tão tolos, ó filhos de Israel, que sem exame ou conhecimento da verdade condenastes uma filha de Israel?
49 Voltai novamente ao lugar de julgamento. Pois que apresentaram falso testemunho contra ela."
50 Então todas as pessoas voltaram às pressas, e os anciãos disseram-lhe: "Vem, assenta-te no meio de nós e mostra-nos isto, pois parece que Deus te concedeu a honra de um presbítero!"
51 E Daniel falou-lhes: "Colocai estes dois afastados um do outro, e irei interrogá-los."
52 Então, quando eles foram separados um do outro, ele chamou um deles, e disse-lhe: "Ó tu, que és velho na maldade, agora os teus pecados, os quais tens cometido desde outrora, estão vindo à luz!
53 Pois pronunciaste falso julgamento, condenaste o inocente e deixaste ir, livres, os culpados, ainda que o Senhor diz: "O inocente e o justo, tu não os matarás."
54 Agora, pois, se tu a viste, dize-me, sob qual árvore os viste juntos?" E ele respondeu: "Sob uma aroeira!"
55 E Daniel disse: "Muito bem. Tu mentiste contra a tua própria cabeça, pois já agora o anjo de Deus recebeu a sentença de Deus para cortar-te em dois!"
56 Então, ele o colocou de lado, e mandou trazer o outro, dizendo-lhe: "Ó descendência de Canaã, e não de Judá, a beleza enganou-te e o desejo perverteu o teu coração.
57 Assim tendes lidado com as filhas de Israel, e elas, por medo coabitaram convosco! Porém, a filha de Judá não iria consentir com a vossa maldade.
58 Agora, pois, dize-me, sob qual árvore os viste juntos?" E ele respondeu: "Debaixo de uma azinheira!"
59 Então, Daniel disse-lhe: "Muito bem. Também tu mentiste contra a tua própria cabeça, pois o anjo de Deus espera com a sua espada para cortar-te em dois, para destruir-te!"
60 Com isso toda a congregação gritou em alta voz, e louvou a Deus que livra aqueles que nele confiam.
61 E levantaram-se contra os dois anciãos, pois Daniel os tinha condenado por falso testemunho, pela sua própria boca.
62 E, de acordo com a lei de Moisés, fizeram-lhes da maneira que eles, maliciosamente, pretendiam fazer ao seu próximo. E puseram-nos à morte. Assim, o sangue inocente foi liberto, naquele dia.
63 Portanto, Hilquias e sua mulher louvaram a Deus por sua filha Suzana, com Joaquim, seu marido, e toda a sua parentela, porque não havia sido encontrada, nela, desonestidade alguma.
64 Daquele dia em diante foi Daniel tido em grande reputação aos olhos do povo.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Septuaginta - Daniel - Capítulo 12

1 Naquele tempo Miguel, o grande príncipe, se levantará, aquele que está sobre os filhos do teu povo; e haverá um tempo de tribulação, tribulação tal como nunca aconteceu desde o tempo em que houve uma nação sobre a terra até aquele momento. Naquele tempo o teu povo será liberto, todo aquele que está escrito no livro.
2 Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, outros para reprovação e vergonha eterna.
3 Os sábios resplandecerão como o fulgor do firmamento, e alguns dos muito justos como as estrelas, para sempre e sempre.
4 Mas tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro para o tempo do fim, até que muitos sejam ensinados e o conhecimento aumente.
5 Então eu, Daniel, olhei, e eis que dois outros estavam de pé, um de um lado da margem do rio, e o outro do outro lado da margem do rio.
6 E um deles perguntou ao homem vestido de linho que estava sobre as águas do rio: "Quando será o cumprimento das maravilhas que mencionaste?"
7 E ouvi falar o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio. Levantou ele a sua mão direita e a sua mão esquerda para o céu, e jurou por aquele que vive para sempre que isto deveria ser por um tempo de tempos e metade de um tempo. "Quando a dispersão estiver encerrada, eles entenderão todas essas coisas."
8 Eu ouvi, mas não entendi; então, disse: "Senhor, qual será o fim destas coisas?"
9 E ele respondeu: "Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até o tempo do fim.
10 Muitos deverão ser testados e completamente embranquecidos, provados pelo fogo e santificados; porém, os transgressores irão transgredir, e nenhum deles entenderá; os sábios, no entanto, entenderão.
11 Desde o tempo da remoção do sacrifício perpétuo, quando será estabelecida a abominação da desolação, haverá ainda mil duzentos e noventa dias.
12 Bem-aventurado é aquele que espera e chega aos mil trezentos e trinta e cinco dias.
13 Mas tu, vai e descansa; pois há ainda dias e estações para o cumprimento do fim, e levantar-te-ás na tua herança, no fim dos dias.

Septuaginta - Daniel - Capítulo 11

1 Mas eu, no primeiro ano de Ciro, levantei-me para fortalecê-lo e confirmá-lo.
2 E agora, declarar-te-ei a verdade. Eis que ainda se levantarão três reis na Pérsia, e o quarto será muito mais ricos que todos, senhor de suas riquezas, e erguer-se-á contra todos os reinos dos gregos.
3 Depois disto, levantar-se-á um rei poderoso, o qual será senhor de um grande império e deverá fazer de acordo com a sua vontade.
4 Porém, quando o seu reino se tiver erguido será quebrado e repartido para os quatro ventos do céu, mas não para a sua posteridade nem tampouco segundo o poder com que reinou. Porque o seu reino será arrancado e dado a outros que não estes.
5 O rei do sul será forte, e um de seus príncipes prevalecerá contra ele, obtendo um grande domínio.
6 Depois de seus anos eles se associarão: a filha do rei do sul virá ao rei do norte para fazer acordos com ele; entretanto, ele não deverá reter o poder do seu braço, nem a sua semente permanecerá. Porém, ela será entregue juntamente com os que a trouxeram, a donzela e o que a fortalecia naqueles tempos.
7 Mas da flor de sua raiz há de surgir um outro em seu lugar, o qual virá contra o exército, entrando nas fortalezas do rei do norte. Lutará contra eles, e prevalecerá.
8 Sim, ele deverá carregar para o Egito, com um grupo de cativos, seus deuses e as suas imagens de fundição, e todos os seus vasos preciosos de prata e de ouro; e deverá permanecer mais do que o rei do norte.
9 Entrará ele no reino do rei do sul, e depois tornará para a sua terra.
10 Seus filhos reunirão uma multidão dentre muitos. Mas um certamente virá e inundará, e passará; então ele irá descansar e recuperar a sua força.
11 Mas o rei do sul ficará grandemente enraivecido e sairá, fazendo guerra contra o rei do norte, e irá ajuntar uma grande multidão; a multidão, porém, será entregue na sua mão.
12 Tomará ele a multidão, e seu coração se elevará; derrubará muitos milhares, contudo, não prevalecerá
13 porque o rei do norte tornará, trazendo uma multidão maior do que a anterior, e no final das épocas de anos um exército invasor virá com uma grande força, e com muitas provisões.
14 Naqueles tempos, muitos se levantarão contra o rei do sul, e os filhos dos destruidores do teu povo deverão exaltar-se para estabelecer a visão; mas cairão.
15 Então o rei do norte virá e levantará baluartes, e tomará cidades fortes; os braços do rei do sul resistirão e os seus escolhidos se levantarão, mas não haverá força para resistir.
16 Porém, aquele que vem em contra ele fará segundo a sua vontade, e não haverá ninguém para ficar diante dele. Permanecerá na terra formosa, a qual será consumida pela sua mão.
17 Então ele firmará o propósito de vir com a força de todo o seu reino, fazendo tudo prosperar com ele, e dar-lhe-á a filha de mulheres para corrompê-lo; porém, ela não subsistirá nem permanecerá ao seu lado.
18 Então ele virará o seu rosto para as ilhas e tomará muitas, fazendo os príncipes cessarem de sua reprovação; não obstante, a sua própria reprovação deverá voltar-se contra ele.
19 E irá virar o seu rosto para a força de sua própria terra, porém, tornar-se-á fraco e cairá. E não será encontrado.
20 Mas haverá de surgir de sua raiz um que deverá fazer um exator do reino passar em seu lugar, adquirindo glória real; contudo, ainda naqueles dias, ele será quebrado; porém não publicamente nem pela guerra.
21 Um deverá ficar em seu lugar, que terá sido reduzido à nada. Mas não lhe concederam a honra do reino. Ele, entretanto, virá prosperamente e tomará o reino por ardis.
22 Então os braços daquele que transborda deverão ser inundados como por um dilúvio passando diante dele, e serão quebrados; e assim deverá ser com o cabeça da aliança.
23 E por causa das alianças feitas com ele, usará de engano; então subirá, e dominá-lo-á com uma pequena nação.
24 Ele entrará com prosperidade, e isto em distritos férteis; e deverá fazer aquilo que seus pais e os pais de seus pais não fizeram. Repartirá entre eles saques, despojos e riqueza, e irá elaborar planos contra o Egito, mas por certo tempo.
25 A sua força e o seu coração levantar-se-ão contra o rei do sul, com um grande exército; o rei do sul envolver-se-á na guerra com um exército grande e muito forte, porém, seus exércitos não subsistirão, pois irão elaborar planos contra ele,
26 comerão as suas provisões e o esmagarão. Então ele arrastará para longe os exércitos, como em um dilúvio, e muitos cairão mortos.
27 E, quanto a estes reis, seus corações estão fixados no mal e falarão mentira a uma mesma mesa; mas isso não prosperará, pois ainda o fim é para um tempo determinado.
28 Ele, porém, voltará para a sua terra com muitas provisões, e o seu coração será contra a santa aliança; irá realizar grandes feitos, e voltará para a sua terra.
29 No tempo determinado voltará e entrará no sul, mas a sua última expedição não será como a primeira
30 porque os citas, avançando, levantar-se-ão contra ele, e será humilhado; e voltará, indispondo-se contra a santa aliança. Assim ele fará, e voltará, tendo entendimentos com os que deixaram a santa aliança.
31 Sementes brotarão dele e profanarão o santuário e a fortaleza; removerão o sacrifício perpétuo, e irão fazer a abominação desoladora.
32 Os transgressores poderão realizar um pacto por caminhos enganosos, mas um povo que conhece o seu Deus prevalecerá e fará proezas,
33 e os sábios dentre as pessoas terão muito entendimento. Todavia, cairão pela espada e pelo fogo, pelo cativeiro e pelo despojo, por muitos dias.
34 Quando estiverem fracos irão ser ajudados com uma pequena ajuda, porém muitos deverão juntar-se a eles com traição.
35 E alguns dos que entendem cairão para serem julgados como com o fogo, para serem testados e para que possam ser manifestados no tempo do fim. Pois a questão é ainda para um tempo determinado.
36 Porém, ele fará segundo a sua vontade. Este rei se exaltará e se engrandecerá contra todo deus, falará palavras arrogantes e será próspero até que a indignação deva ser completada, porque está indo para um fim.
37 Não respeitará a quaisquer deuses de seus pais nem ao desejo de mulheres, nem terá respeito por qualquer divindade, porque se engrandecerá acima de tudo.
38 Mas honrará o deus das forças em seu lugar. A um deus a quem seus pais não conheceram honrará com ouro, prata, pedras preciosas e coisas desejáveis.
39 Assim agirá nos fortes lugares de refúgio com um deus estranho, e aumentará a sua glória; deverá submeter muitos a eles, e distribuirá a terra em presentes.
40 Porém, no final do tempo, ele deverá entrar em conflito com o rei do sul, e o rei do norte se levantará contra ele com carros, cavaleiros e muitos navios; e entrarão na terra. Ele a esmiuçará, e passará;
41 entrará na terra formosa, e muitos cairão. Mas estes deverão escapar de sua mão: Edom e Moabe, e o chefe dos filhos de Amom.
42 Estenderá ele a sua mão sobre a terra, e a terra do Egito não escapará.
43 E obterá o domínio sobre os tesouros secretos de ouro e de prata, sobre todos os bens desejáveis ​​do Egito, e também os dos líbios e etíopes, em suas fortalezas.
44 Mas os boatos e as angústias do oriente e do norte o espantarão; e sairá, com grande ira, para destruir a muitos.
45 Depois disto, ele irá estabelecer o tabernáculo de seu palácio entre os mares, na santa montanha formosa. Mas virá para a sua sorte, e não haverá ninguém para livrá-lo.

Septuaginta - Daniel - Capítulo 10

1 No terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia, uma coisa foi revelada a Daniel, cujo nome fora chamado Beltessazar; a coisa era verdadeira, e grande poder e compreensão na visão foi dada para ele.
2 Naqueles dias eu, Daniel, estive pranteando por três semanas inteiras.
3 Não comi pão agradável, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com óleo até as três semanas inteiras haverem sido completadas.
4 No dia vinte e quatro do primeiro mês eu estava perto do grande rio Tigre, o qual é Hidequel.
5 Levantei os meus olhos e vi, e eis um homem vestido de linho; e os seus lombos estavam cingidos com ouro de Ufaz.
6 Seu corpo era como berilo e o seu rosto tinha a aparência de um relâmpago; os seus olhos eram como tochas de fogo, os seus braços e as suas pernas tinham o brilho semelhante ao do bronze, e a voz das suas palavras era como a voz de uma multidão.
7 Somente eu, Daniel, tive a visão, e os homens que estavam comigo não a viram; porém, um grande espanto caiu sobre eles e fugiram, com medo.
8 Fiquei, pois, eu só a contemplar aquela grande visão, e não havia mais forças em mim; a minha glória tornou-se em corrupção, e não tive mais força alguma.
9 Contudo, ouvi a voz das suas palavras. E, quando o ouvi, senti um aperto no coração, caindo com o meu rosto em terra.
10 E eis que uma mão me tocou, pondo-me de joelhos.
11 E ele me disse: "Daniel, homem muito amado, entende as palavras as quais te digo e põe-te de pé, porque fui, agora, enviado a ti." E, tendo ele falado comigo esta palavra, pus-me em pé, tremendo.
12 E disse-me ele: "Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que puseste o teu coração a compreender e a afligir-te perante o Senhor, teu Deus, tuas palavras foram ouvidas; e eu vim por causa destas tuas palavras.
13 Porém, o príncipe do reino da Pérsia resistiu-me por vinte e um dias; mas eis que Miguel, um dos príncipes, veio para ajudar-me; e eu o deixei ali com o chefe do reino dos persas,
14 e vim para informar-te de tudo o que há de suceder ao teu povo nos últimos dias. Porquanto, a visão é ainda para muitos dias."
15 E quando ele falou comigo, de acordo com essas palavras, virei o rosto para o chão, sentindo um aperto no meu coração.
16 Mas eis que algo, semelhante a um filho do homem, tocou-me os lábios; então abri a minha boca e falei, dizendo ao que estava diante de mim: "Ó meu Senhor, por causa da tua visão minhas entranhas se reviraram dentro de mim, e não tenho forças.
17 Como poderá o teu servo, ó meu Senhor, falar com o meu senhor? Pois, quanto a mim, desde agora força nenhuma permanecerá em mim, e não há mais fôlego em mim."
18 E tocou-me outra vez como se fosse a aparência de um homem, fortalecendo-me,
19 e disse-me: "Não temas, homem muito amado! Paz seja contigo. Age como um homem, e sê forte!" E, quando ele falou comigo, recebi força, e disse: "Que o meu senhor fale, pois me fortaleceste."
20 E ele disse: "Sabes por que vim a ti? E agora, retornarei para lutar com o príncipe dos persas. Porém, quando eu estava entrando, o príncipe dos gregos veio.
21 Mas direi a ti o que está ordenado na escritura da verdade. E não há ninguém que fique comigo nesses assuntos a não ser Miguel, vosso príncipe.

Septuaginta - Daniel - Capítulo 9

1 No primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual reinou sobre o reino dos caldeus,
2 eu, Daniel, entendi pelos livros o número de anos dados pela palavra do Senhor ao profeta Jeremias, ou seja, setenta anos para a completude da desolação de Jerusalém.
3 Então, eu voltei o meu rosto em direção ao Senhor Deus para buscá-lo diligentemente pela oração e súplicas, com jejum e pano de saco.
4 E orei ao Senhor, meu Deus, fazendo confissão, dizendo: "Ó Senhor, grande e maravilhoso Deus, que manténs a tua aliança e a tua misericórdia para com os que te amam e para com os que guardam os teus mandamentos; temos pecado,
5 temos praticado a iniquidade; nós transgredimos, afastando-nos e nos desviando dos teus mandamentos e dos teus juízos,
6 e não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, os quais falaram em teu nome aos nossos reis, aos nossos príncipes e aos nossos pais, como também a todo o povo da terra.
7 A ti, ó Senhor, pertence a justiça, e a nós a confusão de nosso rosto, como hoje se vê: aos homens de Judá, aos moradores de Jerusalém e a todo o Israel, aos que estão perto como aos que estão longe, em toda a terra, onde quer que tu os espalhaste por causa do pecado que cometeram.
8 Em ti, ó Senhor, está a nossa justiça, e a nós pertence a confusão de nosso rosto, a nossos reis a nossos príncipes e a nossos pais; porquanto pecamos.
9 A ti, Senhor, nosso Deus, pertencem misericórdias e o perdão, ainda que nos apartamos de ti;
10 não demos ouvidos à voz do Senhor, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, as quais Ele nos deu por intermédio das mãos de seus servos, os profetas.
11 Também, todo o Israel transgrediu a tua lei, e recusaram-se a ouvir a tua voz; por isso a maldição se abateu sobre nós, o juramento que está escrito na lei de Moisés, servo de Deus; porque pecamos contra Ele.
12 E Ele confirmou a sua palavra, a qual falou contra nós e contra os nossos juízes que nos julgavam, trazendo sobre nós grandes males, tais como não tem acontecido semelhantes debaixo de todo o céu, de acordo com tudo o que aconteceu em Jerusalém.
13 Conforme está escrito na lei de Moisés, todos estes males tem vindo sobre nós. Ainda não temos, porém, suplicado ao Senhor, nosso Deus, para nos afastarmos das nossas iniquidades e ter entendimento em toda a tua verdade.
14 O Senhor também tem observado isto, trazendo estes males sobre nós, porque o Senhor, nosso Deus, é justo em toda a obra que tem executado. Porém, não deram ouvidos à sua voz.
15 E agora, ó Senhor, nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mão poderosa e fizeste para ti mesmo um nome, como hoje se vê: nós pecamos, nós transgredimos!
16 Ó Senhor, a tua misericórdia é sobre tudo. Desvia, peço-te, a tua ira e a tua cólera da tua cidade de Jerusalém, do teu santo monte; porque temos pecado e, por causa das nossas iniquidades e das dos nossos pais, Jerusalém e o teu povo tornaram-se um opróbrio para todos os que estão em redor de nós.
17 Agora, ó Senhor, nosso Deus, ouve a oração do teu servo e as suas súplicas, fazendo brilhar o teu rosto sobre o teu santuário assolado, por tua causa, ó Senhor!
18 Inclina o teu ouvido, ó meu Deus, e ouve; abre os teus olhos e vê a nossa desolação,e a da tua cidade, na qual o teu nome é invocado. Pois não trazemos o nosso caso lamentável diante de ti sobre a base da nossa justiça, mas na das tuas múltiplas misericórdias, ó Senhor!
19 Ouve, ó Senhor; sê propício, ó Senhor; atende, ó Senhor. Não te demores, ó meu Deus, por tua causa, porque o teu nome é invocado sobre a tua cidade e sobre o teu povo."
20 Enquanto eu estava ainda falando, orando e confessando meus pecados e os pecados de meu povo, Israel, e trazendo o meu caso lamentável diante do Senhor, meu Deus, a respeito da montanha sagrada;
21 sim, enquanto eu estava ainda falando em oração, eis que o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão, no início, veio voando e tocou-me, à hora do sacrifício da tarde.
22 Ele me instruiu e falou comigo, dizendo: "Daniel, saí agora para para dar-te compreensão.
23 No início de tua súplica a palavra saiu, e eu vim para falar-te; porque és um homem muito amado. Portanto, considera a questão e entende a visão:
24 setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a cidade santa para dar fim ao pecado e para selar as transgressões, para apagar as iniquidades e para fazer expiação pelas iniquidades, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e o profeta e para ungir o Santo dos Santos.
25 Porém, tu, sabe e entende: desde a saída do comando para a resposta e para a construção de Jerusalém até Cristo, o príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; em seguida, o tempo retornará e a rua será construída, e também o muro; e os tempos se completarão.
26 Depois das sessenta e duas semanas o Ungido será destruído, mas não haverá julgamento sobre ele. Porém, ele destruirá a cidade e o santuário com o príncipe que está chegando. Ele deverá ser cortado com uma inundação, e até o fim da guerra, que deverá ser rapidamente concluída, irá apontar a cidade para desolação.
27 Por uma semana ele deverá estabelecer a aliança com muitos. E, no meio da semana, meu sacrifício e a oferta de libação serão tirados, e no templo estará a abominação da desolação. Mas, no final do tempo, um fim deverá ser posto à desolação."

Septuaginta - Daniel - Capítulo 8

1 No terceiro ano do reinado do rei Belsazar, uma visão apareceu para mim, Daniel, depois daquela que me apareceu no princípio.
2 Estava eu em Susã, no palácio que está na terra de Elão, encontrando-me na margem do rio Ulai.
3 Levantei os meus olhos e vi, e eis que um carneiro estava em pé diante do Ulai; tinha ele grandes chifres, e um era mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último.
4 Vi o carneiro dando marradas para o oeste, para o norte e para o sul; nenhum animal podia estar diante dele e não havia quem pudesse livrar-se do seu poder, porém, ele fazia conforme a sua vontade, engrandecendo-se.
5 Estava eu considerando nisto, e eis que um bode vinha do sudoeste sobre a face de toda a terra, mas não tocava a terra; e aquele bode tinha um chifre entre os olhos.
6 E veio em direção ao carneiro que tinha os chifres, o qual eu tinha visto em pé diante do Ulai, correndo para ele com a violência de sua força.
7 Vi-o chegando perto do carneiro, enfurecido contra ele, e feriu o carneiro, quebrando seus dois chifres; e não havia força no carneiro para resistir-lhe, mas lançou-o no chão e pisou em cima dele; e não houve quem pudesse livrar o carneiro da sua mão.
8 Então o bode cresceu muito. E, quando ele estava forte, o seu grande chifre foi quebrado e outros quatro chifres se levantaram em seu lugar, para os quatro ventos do céu.
9 De um deles saiu um chifre forte, o qual ficou muito grande na direção do sul e do exército,
10 engrandecendo-se contra o exército do céu; e caíram por terra alguns do exército do céu e das estrelas, e pisaram neles.
11 Isto continuará até que o comandante-em-chefe tenha libertado o cativeiro. Por sua causa o sacrifício foi descontinuado, e ele prosperou. E o lugar santo será desolado.
12 Uma oferta pelo pecado foi dada para o sacrifício, e a justiça foi lançada ao chão; e o que foi feito prosperou.
13 Então ouvi um santo que falava, e outro santo disse àquele que falava: "Até quando durará a visão, a remoção do sacrifício e a introdução do pecado da desolação? E por quanto tempo o santuário e o exército serão pisados?"
14 E respondeu-lhe ele: "As tardes e as manhãs deverão ser dois mil e quatrocentos dias; e então o santuário será purificado."
15 E aconteceu que quando eu, Daniel, tive aquela visão e procurei entendê-la, eis que se apresentou diante de mim como a aparência de um homem.
16 E ouvi uma voz de homem, entre as margens do Ulai. E ele clamou, dizendo: "Gabriel, fazei com que o homem entenda a visão."
17 Então ele veio, ficando perto de onde eu estava; e, quando ele se aproximou, eu fiquei cheio de temor, caindo sobre o meu rosto. Mas ele me disse: "Entende, filho do homem, porque a visão é ainda para o tempo determinado."
18 E, enquanto ele falava comigo, caí com o rosto em terra; mas ele me tocou, pondo-me sobre os meus pés.
19 E disse-me: "Eis que eu te faço saber as coisas que hão de acontecer no término da ira. Pois a visão é para o tempo determinado.
20 Aquele carneiro que viste, o qual tinha os chifres, é o rei dos medos e persas.
21 O bode é o rei dos gregos; e o grande chifre que tinha entre os olhos, este é o primeiro rei.
22 E quanto ao que foi quebrado, em cujo lugar se levantaram quatro chifres, quatro reis se levantarão da sua nação, mas não com a sua mesma força.
23 E, no fim do seu reinado, quando os seus pecados estiverem chegando ao máximo, haverá de surgir um rei de aparência ousada e entendedor de enigmas.
24 O seu poder será grande e destruirá maravilhosamente; e prosperará, fazendo grandes coisas, destruindo homens poderosos e o povo santo.
25 O jugo das suas cadeias prosperará: há artifícios em suas mãos. E se engrandecerá em seu coração. Por seus artifícios destruirá a muitos, e levantar-se-á para a destruição de muitos, esmagando-os como os ovos na sua mão.
26 Mas a visão da tarde e da manhã, que foi mencionada, é verdadeira; tu, porém, sela a visão; pois é, ainda, para muitos dias.
27 Então eu, Daniel, adormeci e estive doente; e levantei-me, indo tratar dos negócios do rei. E eu me perguntava a respeito da visão, mas não havia ninguém que a entendesse.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Septuaginta - Daniel - Capítulo 7

1 No primeiro ano de Belsazar, rei dos caldeus, Daniel teve um sonho e visões da sua cabeça, quando estava na sua cama; e descreveu o sonho:
2 "Eu, Daniel, olhei, e eis que os quatro ventos do céu sopravam violentamente no grande mar.
3 Então saíram quatro grandes animais do mar, diferentes uns dos outros.
4 O primeiro era como uma leoa, e as suas asas eram como as de uma águia. Olhei, até que as suas asas foram arrancadas, e ela foi levantada da terra, ficando sob pés humanos; e um coração de homem lhe foi dado.
5 Eis então um segundo animal, semelhante a um urso, o qual se apoiava em um dos lados, havendo três costelas na sua boca, entre os seus dentes. E disseram-lhe: "Levanta-te, devora muita carne!"
6 Depois deste eu olhei, e eis um outro animal selvagem semelhante a um leopardo, o qual tinha quatro asas de pássaro sobre si. Tinha a fera quatro cabeças, e lhe foi dado poder.
7 Depois deste eu olhei, e eis aqui o quarto animal, terrível, espantoso e muito forte; os seus dentes eram de ferro, devorando e fazendo em migalhas e pisoteando o restante com seus pés. Era completamente diferente dos animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres.
8 Observei seus chifres, e eis que outro chifre pequeno surgiu no meio deles, e diante dele três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que havia olhos como os de um homem neste chifre, e uma boca que falava grandes coisas.
9 Continuei olhando, até que os tronos foram postos e um ancião de dias se assentou; as suas vestes eram brancas como a neve e o cabelo da sua cabeça como a pura lã; seu trono era de chamas de fogo, e as suas rodas de fogo ardente.
10 Um rio de fogo precipitava-se diante dele. Milhares de milhares o serviam, e dez milhares de miríades estavam junto dele. O julgamento começou, e os livros foram abertos.
11 Estive olhando, então, por causa da voz das grandes palavras que esse chifre proferia, até que o animal selvagem foi morto e destruído, e o seu corpo entregue para ser queimado pelo fogo.
12 E o domínio do restante dos animais selvagens foi tirado. Mas um prolongamento da vida foi-lhes dado, por um certo tempo.
13 Olhei na visão noturna, e eis que veio com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, dirigindo-se ao ancião de dias. E foi trazido para perto dele.
14 Foi-lhe dado o domínio, a honra e o reino, e todas as nações, tribos e línguas o servirão. O seu domínio é um domínio eterno que não passará, e o seu reino não será destruído.
15 Quanto a mim, Daniel, meu espírito em meu corpo estremeceu, e as visões da minha cabeça me perturbaram.
16 Então aproximei-me de um dos que estavam próximos, e procurei saber dele a verdade de todas essas coisas. E ele me contou a verdade, fazendo-me saber a interpretação destas coisas:
17 "Estes quatro animais são quatro reinos que se levantarão na terra,
18 e que serão tirados; mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre."
19 Então perguntei, acuradamente, a respeito do quarto animal. Pois ele diferia de todos os outros animais, sendo muito terrível: os seus dentes eram de ferro e as suas garras de bronze, devorando e fazendo totalmente em pedaços e pisoteando o restante com os pés;
20 e a respeito dos dez chifres que tinha na sua cabeça, e do outro que subiu, arrancando alguns dos primeiros, o qual tinha olhos e uma boca que falava grandes coisas, sendo a sua aparência mais ousada do que a dos outros.
21 Vi também que esse chifre fez guerra contra os santos, prevalecendo contra eles,
22 até que o Ancião de dias veio e concedeu o juízo aos santos do Altíssimo; chegou o tempo, e os santos possuíram o reino.
23 E ele disse: "O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual deverá sobressair a todos os outros reinos e devorará toda a terra, atropelando e destruindo.
24 Os seus dez chifres são dez reis que se levantarão, e depois deles se levantará outro, que deverá ultrapassar a todos os anteriores em maldade, e abaterá a três reis.
25 Proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo. Cuidará em mudar os tempos e a lei, e o poder será entregue na sua mão por um tempo, dois tempos e metade de um tempo.
26 O tribunal assentou-se, e eles tirarão o seu domínio, para aboli-lo e destruí-lo completamente.
27 Então o reino, o poder e a grandeza dos reis que estão debaixo de todo o céu foi dada aos santos do Altíssimo; o seu reino é um reino eterno, e todos os domínios o servirão e obedecerão.
28 Aqui, o fim do assunto. Quanto a mim, Daniel, os meus pensamentos me perturbaram muito, e meu semblante mudou; mas guardei o assunto no meu coração.

Septuaginta - Daniel - Capítulo 6

1 Pareceu bem a Dario, e ele constituiu sobre o seu reino a cento e vinte sátrapas, para estarem em todo o seu reino;
2 e sobre eles três governadores, dos quais um era Daniel. E os sátrapas deveriam prestar contas a eles, para que o rei não fosse incomodado.
3 Daniel estava sobre eles, pois havia nele um espírito excelente; e o rei o pôs sobre todo o seu reino.
4 Porém, os governadores e sátrapas procuravam achar ocasião contra Daniel; mas não acharam contra ele nenhuma ocasião, nem culpa nem erro, porque ele era fiel.
5 E os governadores disseram: "Nunca acharemos ocasião contra Daniel, exceto nas ordenanças do seu Deus.
6 Então os governadores e sátrapas foram ao rei, e disseram-lhe: "Ó rei Dario, vive para sempre!
7 Todos os que presidem no teu reino, os capitães e príncipes, chefes e governantes locais, tomaram juntamente conselho para estabelecer por um estatuto real e confirmar por um decreto que todo aquele que fizer uma petição a qualquer deus ou homem por trinta dias, salvo a ti, ó rei, seja lançado na cova dos leões.
8 Agora, pois, ó rei, confirma a proibição e publica um mandado para que o decreto dos persas e medos não seja alterado."
9 Então o rei Dario ordenou que o decreto fosse escrito.
10 Quando Daniel soube que o decreto fora ordenado ele entrou em sua casa. As janelas estavam abertas em seus aposentos para Jerusalém, e três vezes no dia ele ajoelhava-se e orava, dando graças diante do seu Deus, como costumava fazer antes.
11 E estes homens observavam, e acharam Daniel orando e suplicando ao seu Deus.
12 Então eles vieram e disseram ao rei: "Ó rei, não tens tu feito um decreto pelo qual todo o homem que fizesse uma petição a qualquer deus ou homem por trinta dias, além de ti, ó rei, fosse lançado na cova dos leões?" E disse o rei: "A palavra é verdadeira, e o decreto dos medos e persas não passará."
13 Mas eles responderam, e disseram na presença do rei: "Daniel, dos filhos dos cativos de Judá, não submeteu-se ao teu decreto; pois três vezes no dia ele faz suas solicitações ao seu Deus."
14 O rei, quando ouviu isto, ficou muito triste por causa de Daniel e esforçou-se muito para livrá-lo; e esforçou-se até à noite para livrá-lo.
15 Porém, aqueles homens disseram ao rei: "Sabe, ó rei, que a lei dos medos e dos persas diz que não devemos mudar qualquer decreto que o rei venha a fazer."
16 Então o rei deu ordem, e trouxeram Daniel, lançando-o na cova dos leões. E o rei disse a Daniel: "O teu Deus, a quem tu, continuamente, serves, Ele te livrará!"
17 Trouxeram uma pedra e colocaram-na sobre a boca da cova; e o rei a selou com o seu anel e com o anel dos seus nobres, para que o caso não pudesse ser alterado com respeito a Daniel.
18 Então o rei foi para sua casa e deitou-se em jejum, e não trouxeram-lhe de comer; e seu sono se apartou dele. Mas Deus fechou a boca dos leões, e eles não molestaram a Daniel.
19 Levantou-se o rei de madrugada e veio, apressadamente, à cova dos leões.
20 E, quando chegou perto da cova, clamou com grande voz, dizendo: "Daniel, servo do Deus vivo! tem o teu Deus, a quem tu continuamente serves, sido capaz de livrar-te boca do leão?"
21 E Daniel disse ao rei: "Ó rei, vive para sempre!
22 O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca dos leões, e eles não me fizeram mal, pois retidão foi achada em mim diante dele; e, além disso, diante de ti, ó rei, não tenho cometido nenhum delito."
23 Então o rei ficou muito contente por ele, mandando tirar Daniel da cova. Daniel foi tirado para fora da cova, e não se achou nenhum dano nele, porquanto acreditava em seu Deus.
24 E o rei deu ordem, e trouxeram os homens que tinham acusado Daniel, os quais foram lançados na cova dos leões, eles, seus filhos e suas esposas. Não haviam eles chegado ao fundo da cova quando os leões se apoderaram deles, e totalmente fizeram em pedaços a todos os seus ossos.
25 Então o rei Dario escreveu a todos os povos, tribos e línguas que moravam em toda a terra, dizendo: "Paz vos seja multiplicada.
26 Este decreto foi estabelecido por mim em todo o domínio do meu reino, para que os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel, porque Ele é o Deus vivo e eterno; o seu reino não será destruído e o seu domínio é para sempre .
27 Ele ajuda e liberta, e sinais e prodígios opera no céu e sobre a terra aquele que livrou Daniel do poder dos leões."
28 E Daniel prosperou no reinado de Dario e no reinado de Ciro, o persa.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Septuaginta - Daniel - Capítulo 5

1 O rei Belsazar fez uma grande ceia para seus mil nobres; e havia vinho diante dos mil.
2 E Belsazar deu ordens, enquanto bebia o vinho, para que trouxessem os vasos de ouro e de prata que Nabucodonosor, seu pai, tinha trazido do templo de Jerusalém, para que o rei, seus nobres, suas amantes e concubinas pudessem beber deles.
3 Assim, os vasos de ouro e prata que Nabucodonosor havia tirado do templo de Deus em Jerusalém foram trazidos, e o rei, seus nobres, suas amantes e concubinas beberam deles.
4 Beberam vinho e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze e de ferro, de madeira e de pedra.
5 Na mesma hora apareceram uns dedos de mão de homem e escreviam na frente da lâmpada no reboco da parede da casa do rei. E o rei via os dedos da mão que estava escrevendo.
6 Então o semblante do rei mudou e os seus pensamentos o perturbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram e os seus joelhos batiam um de encontro ao outro.
7 E o rei clamou em alta voz para trazerem os magos, os caldeus e os adivinhadores. E disse aos sábios de Babilônia: "Qualquer que ler esta escritura e fazer-me saber a sua interpretação será vestido de púrpura e haverá uma corrente de ouro em seu pescoço. Também ele será o terceiro governante no meu reino."
8 Logo entraram todos os homens sábios do rei, mas não puderam ler o escrito nem fazer saber a interpretação dele ao rei.
9 O rei Belsazar ficou perturbado, mudando-se-lhe semblante. E os seus nobres ficaram preocupados por causa dele.
10 Então a rainha entrou na casa do banquete, e disse: "Ó rei, vive para sempre! Não deixes que os teus pensamentos te perturbem, e não esteja alterado o teu semblante.
11 Existe um homem em teu reino no qual há o Espírito de Deus. Nos dias de teu pai, vigilância e compreensão foram encontrados nele, e o rei Nabucodonosor, teu pai, o fez chefe dos encantadores, magos, caldeus e adivinhadores.
12 Porquanto há nele um espírito excelente, senso e entendimento, interpretando sonhos como só ele o faz, respondendo a perguntas complicadas e resolvendo difíceis questões. Este é Daniel, e o rei lhe deu o nome de Beltessazar. Agora, portanto, que ele seja chamado e dirá a interpretação da escrita."
13 Então Daniel foi introduzido à presença do rei. E disse o rei a Daniel: "És tu Daniel, um dos filhos do cativeiro de Judá que o rei, meu pai, trouxe?
14 Tenho ouvido a teu respeito, que o Espírito de Deus está em ti e que a vigilância, o entendimento e a excelente sabedoria foram encontrados em ti.
15 E agora, os homens sábios, mágicos e adivinhos, vieram diante de mim para ler esta escritura e fazer-me saber a sua interpretação, mas não puderam dizer-me o significado.
16 E tenho ouvido de ti que és capaz de fazer interpretações. Agora, pois, se fores capaz de ler o escrito e fazer-me saber a sua interpretação serás vestido de púrpura, haverá uma corrente de ouro sobre o teu pescoço e serás o terceiro governante no meu reino!"
17 E Daniel falou, diante do rei: "Os teus presentes fiquem contigo, e dá os prêmios da tua casa para outro! Entretanto, irei ler o escrito e dar a conhecer-te a sua interpretação.
18 Ó rei, o Deus Altíssimo deu a Nabucodonosor, teu pai, um reino e majestade, e honra e glória; 19 e por causa da majestade que Ele lhe deu todas as nações, tribos, e línguas tremiam e temiam diante dele; a quem queria matar ele matou; a quem queria ferir ele feriu; a quem queria exaltar ele exaltou; e a quem queria humilhar ele humilhou.
20 Porém, quando o seu coração se elevou e o seu espírito se atreveu para agir arrogantemente, foi derrubado do seu trono real e a sua honra lhe foi tirada.
21 E foi expulso de diante dos homens; a seu coração foi dada a natureza de animais selvagens e a sua morada foi com os jumentos monteses; alimentaram-no com erva como a um boi e seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que conheceu que Deus, o Altíssimo, é o Senhor do reino dos homens e o dará a quem lhe agradar.
22 Tu, por conseguinte, sendo seu filho, ó Belsazar, não humilhaste o teu coração diante de Deus. Não sabias tu todas essas coisas?
23 Mas tens te exaltado contra o Senhor, Deus do céu. Trouxeram diante de ti os vasos da casa dele, e tu, os teus nobres, as tuas amantes e as tuas concubinas bebestes vinho deles; e tens louvado aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra que não vêem,  não ouvem e não sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, não tens glorificado.
24 Portanto, de sua presença foi enviada esta mão, e Ele mesmo ordenou a escrita.
25 Esta é a escrita que foi ordenada: MENE, TEQUEL, PARSIM.
26 E esta é a interpretação da frase: MENE. Deus tem medido teu reino, e o acabou.
27 TEQUEL. Foi ele pesado na balança e achado em falta.
28 PARSIM. Teu reino foi dividido e dado aos medos e aos persas."
29 Então Belsazar deu ordem e vestiram a Daniel de púrpura, colocaram uma corrente de ouro em seu pescoço e proclamaram a seu respeito que era o terceiro governante no reino.
30 Na mesma noite foi Belsazar, o rei dos caldeus, morto.
31 E Dario, o medo sucedeu-o no reino, tendo sessenta e dois anos de idade.